Qualificação | 05/06/2011 13:54
Falta mão de obra para tablet nacional
Ausência de profissionais pode obrigar país a trazer especialistas do exterior
Rogerio Jovaneli, de
O tablet iPad, da Apple: onde está a mão de obra local para a produção do produto no país?
São Paulo – Para o pesquisador João Maria de Oliveira, do grupo que estuda economia da informação no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Brasil não dispõe de mão de obra que suporte o processo de fabricação de tablets no país.
Conforme cronograma estabelecido nesta semana pelos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a indústria nacional de tablets deverá ser implantada até 2014.
“Não temos mão de obra qualificada para dar suporte à continuidade do processo de instalação do tablet”, alerta o pesquisador do Ipea.
“Acredito que existe, atualmente, um déficit de mão de obra em quase todas as áreas de atuação, o que, com certeza, implica em certa dificuldade de encontrar profissionais interessados e qualificados para o desenvolvimento e produção da indústria de tablet”, concorda Fábio Bedran, gerente administrativo da empresa mineira MXT, que anunciou a fabricação do gadget para o mercado corporativo.
Para Bedran, a produção de tablets no país exige a contratação de engenheiros elétricos, engenheiros de radiofrequência e engenheiros de telecomunicação, para o desenvolvimento dos dispositivos do aparelho, e também de pessoas formadas em ciência da computação e sistema de informação, para o desenvolvimento de aplicativos e programas.
Na fabricação do equipamento, o país precisará ter engenheiros de controle e automação e, para a fase de testes, haverá demanda por mais bacharéis em ciência da computação e de técnicos de eletrônica.
A linha de montagem, que usa robôs e não é intensiva em mão de obra, e a linha de finalização do produto exigiriam trabalhadores com ensino médio.
De acordo com Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, a nacionalização vai demandar grandes esforços para formação de mão de obra. Ele considera a disponibilidade da força de trabalho para a indústria de ponta no Brasil “uma questão bem delicada do nosso desenvolvimento, ainda a ser resolvida”.

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