Juros
"BC agiu com correção para não replicar erro de 2008"
Felipe Peroni e Micheli Rueda (redacao@brasileconomico.com.br)
01/09/11 12:27
"Cabe ao Banco Central tomar medidas preventivas, porque a situação nos Estados Unidos e na Europa ainda está longe de se resolver", afirmou Kiel
Decisão mais ousada do Copom não surpreendeu o economista Waldir Kiel, que já projetava corte de 0,50 ponto percentual na Selic.
Waldir Kiel Junior, agente de investimentos da Hencorp Commcor, afirma que a deterioração da situação econômica externa e o arrefecimento doméstico foram os balizadores da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).
Na noite de quarta-feira (31/8), os membros do Copom surpreenderam ao optar pelo corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), levando-a para 12% ao ano.
Kiel não ficou surpreso. Ele já projetava esse movimento desde a semana passada.
"O Copom agiu com correção para não incorrer no erro da crise de 2008, quando retardou muito a queda, e no momento em que precisava reduzir um pouco mais, o mercado já estava retomando", disse Kiel.
Durante a última crise, que culminou com recessão nos Estados Unidos, o BC conseguiu levar a Selic para a mínima de 8,75% anuais.
Tal patamar foi atingido a partir de uma guinada de corte na Selic iniciada em janeiro de 2009, perdurando até abril de 2010, quando o colegiado precisou optar por um ciclo de aperto monetário.
Kiel destaca ainda que já era uma premissa do governo Dilma "defender a moeda, mas priorizar o crescimento". "Basicamente, é o que os banco centrais estão fazendo mundo afora", completou.
Desde o início do ano, conforme constatação de Kiel, a economia brasileira vem desacelerando rapidamente. "No início do ano, as estimativas para o PIB 2011 eram de um crescimento em torno de 5% e hoje já existem projeções de 2,9%".
Na última divulgação, o relatório Focus do Banco Central (BC) mostrou que as instituições financeiras consultadas reduziram a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 pela quarta semana seguida, a 3,79%. Para 2012, a estimativa caiu de 4% para 3,90%.
"Cabe ao Banco Central tomar medidas preventivas, porque a situação nos Estados Unidos e na Europa ainda está longe de se resolver", concluiu Kiel.
Se a situação externa permanecer ruim, como parece indicar o olhar do Banco Central, Waldir Kiel prevê novos cortes no juro básico no futuro. O Copom se reúne em outubro.

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