quinta-feira, 1 de setembro de 2011

• SEPTEMBER 1, 2011, 1:18 P.M. ET

Indústria mundial fica estagnada em agosto

Por MARTIN VAUGHN e ALEX BRITAIN

A produção industrial ficou praticamente inalterada no mundo em agosto, alimentando o temor de uma nova retração na economia global.
Na Ásia a produção das fábricas continuou desacelerando em agosto, dando mais sinais de que a fraqueza da demanda no mundo desenvolvido está pesando sobre as economias asiáticas baseadas em exportações.
Enquanto isso, o desempenho do setor manufatureiro na zona do euro voltou a cair em agosto, puxado pela queda na França e na Itália, o que encerrou um período de quase dois anos de expansão. A atividade nas fábricas do Reino Unido caiu para o nível mais fraco em mais de dois anos em agosto com a produção tendo a primeira queda desde maio de 2009. Já nos Estados Unidos a atividade industrial foi mais forte que o esperado.
O crescimento mais lento na Ásia vem no momento em que a inflação se mantêm elevada em boa parte do continente, criando um dilema para as autoridades, que ficam entre o desejo de criar condições para impulsionar a economia e a necessidade de apertos monetários para manter os preços sob controle.

Bloomberg News

Um caso que chama atenção é a Coréia do Sul, onde o cenário para a indústria ficou negativo pela primeira vez em dez meses, de acordo com os dados divulgados pelo HSBC na quinta-feira. O índice do banco que acompanha os pedidos às fábricas, o PMI caiu para 49,7 de 51,3 em julho.
Essa queda é significativa porque a leitura acima de 50 representa uma melhora nas condições de negócios enquanto o resultado abaixo de 50 aponta para uma deterioração.
Ao mesmo tempo, a inflação na Coréia do Sul chegou ao nível mais alto em três anos, 5,3% ao ano no levantamento de agosto. Economistas previam um aumento de 4,8% nos preços. O governo disse que mantém as previsões para a economia este ano projetando uma expansão de 4,5% e inflação ao consumidor de 4% — as no mercado crescem as apostas de que o país não vai alcançar essas previsões.
Mesmo na China, que foi o combustível da economia global durante a crise financeira em 2008, os dados não são encorajadores. Oficialmente o indicador de pedidos às fábricas aumentou ligeiramente, para 50,9 em agosto de 50,7 em julho, mas o levantamento similar do HSBC mostra o setor ainda em contração e subindo dos 49,3 de julho para 49,9.
Exportações foram uma área problemática, com o levantamento oficial mostrando o subíndice de pedidos para exportação caindo para 48,3 de 50,4 em julho, a primeira vez desde abril de 2009 que o dado indica contração.
Exportações mais fracas podem ser um sinal péssimo para a economia chinesa, que depende das vendas externas. Ao mesmo tempo o sub-índice de preços de insumos subiu para 57,2 de 56,3 em julho, aumentando a preocupação com a inflação.
Em outros países da região Ásia Pacífico os dados de quinta-feira refletem uma desaceleração no ritmo de crescimento. O PMI do HSBC para Taiwan, onde as novas encomendas continuam a cair, teve queda pelo terceiro mês seguido para 45,2. O indicador compilado pelo Australian Industry Group-PricewaterhouseCoopers caiu 0,1 ponto em agosto para 43,3 refletindo a continuidade na contração do setor manufatureiro.
Enquanto isso na Europa o PMI final para a zona do euro caiu para 49 em agosto de 50,4 em julho, ficando abaixo do patamar de 50 pontos que representa expansão, disse na quinta-feira a consultoria Markit Economics.
Os dados são o sinal mais recente de que a recuperação da economia no grupo de 17 países está perdendo o fôlego o que pode aumentar a pressão sobre o Banco Central Europeu para suspender o programa de aumentos de juros para combater a inflação iniciado em abril e que levou a taxa básica da região para 1,5%. A próxima decisão do BCE está marcado para o dia 8 de setembro e a expectativa da maioria dos economistas é de que a taxa não será alterada.
A contração do PMI de agosto é a primeira desde setembro de 2009 e mostra uma revisão para baixo do indicador preliminar, que era de 49,7.
A pesquisa mostra uma contração do setor manufatureiro na França e na Itália em agosto, o pior desempenho em dois anos depois de ambos terem ensaiado uma recuperação em julho. Na Itália a atividade manufatureira despencou para 47 de 50,1.
A produção também encolheu na Irlanda, Espanha e Grécia, que teve a leitura mais baixa da região, 43,3.
(Colaborou Nicholas Winning.)

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